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O dia hoje escreveu-se tão lindo como há muito não o lia. Aquele poeta - de quem eu por cisma não gosto muito - tem razão: é tudo invenção! Daí eu ter inventado esse dia. Acordei cedo e levantei-me na ponta dos pés pra não despertar as que dormiam. Ouvi música suave, meditei e fiz exercícios de alongamento. Depois lavei a louça e preparei a cozinha para o dia. Alimentei minha filha pequena, despertei a mais velha que não quis nos acompanhar à feira. Fomos eu e a pequena feliz nos seus dois anos. A feira foi uma festa. Os mais variados tipos humano nos meus olhos e sons, vozes, rumores, gritos, pregões nos meus ouvidos. Um sol de inverno generoso esquentou nossa pele enquanto provávamos os gostos tantos que a feira nos oferece: pastéis, mexericas, mangas...e os cheiros. Ah! quanto cheiro tem a feira... Adoro feiras, já deu pra perceber, né? E penso nelas como um lugar de resistência. É impressionante que não tenham acabado com as feiras ainda. Elas surgem nas madrugadas, mudam o trânsito, trazem gente pras ruas -gente que muitas vezes só sai de casa para ir à feira.

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